| A conta-gotas, novos hotéis desembarcam no Brasil |
| Escrito por Veja | ||
| Seg, 18 de Junho de 2012 12:00 | ||
Conheça as novidades do setor hoteleiro para o Brasil Depois de assumir a Fazenda Boa Vista e inaugurar uma unidade em Punta del Este, no Uruguai, o grupo Fasano prepara três grandes empreendimentos com abertura prevista para os próximos anos. Em 2013, estão previstas as inaugurações do hotel Fasano Belo Horizonte e Salvador. O primeiro ocupará o antigo prédio do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg) e contará com investimentos da ordem de 46 milhões de reais, com inauguração prevista para o segundo semestre do próximo ano. Já o hotel de Salvador, também previsto para 2013, está localizado em frente à praça Castro Alves, na antiga sede do Jornal A Tarde – edifício dos anos 1930 e tombado como patrimônio histórico da cidade baiana. O Fasano Trancoso, que ainda não começou a ser construído, tem inauguração prevista para 2015. O fato é que, mesmo com a perspectiva de aumento da demanda, os lançamentos hoteleiros estão longe de suprir as necessidades do país, sobretudo em relação aos dois maiores eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Segundo Mateus Cabau, diretor de desenvolvimento da rede Atlantica Hotels, que prevê lançar 38 novas unidades nos próximos três anos, os preços de terrenos e imóveis ainda são o maior entrave. “Em lugares como São Paulo e Rio de Janeiro, a conta não fecha. É muito difícil conseguir um investidor porque os preços estão tão altos, que não compensam como investimento”, afirma. De todos os lançamentos da rede, nenhum será nessas capitais.
Concorrência imobiliária – Outro entrave é o fato de investimentos em imóveis residenciais e comerciais terem dominado o mercado nos últimos cinco anos. “O investidor acostumou-se com um retorno de curto prazo no setor imobiliário. Por isso, a hotelaria havia deixado de ser interessante, já que começa a dar algum retorno somente depois de três anos”, afirma Cristiano Vasques, da consultoria HotelInvest. Além de tudo, a crise que se abateu sobre o setor hoteleiro na década de 2000 acabou afugentando muitas redes e investidores. “Havia uma clara superoferta e a demanda de hóspedes caía. Isso intimidou muitas empresas e o quadro só começou a se reverter por volta de 2007”, afirma Paula Muniz, porta-voz da área de desenvolvimento do Hilton Brasil. Novos tempos – Mas os empresários do setor começam a notar algumas mudanças no horizonte. A trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic) e a relativa estabilização dos preços no mercado imobiliário fizeram com que empreendimentos hoteleiros voltassem a despertar interesse. “Os investidores estão mais receptivos a esse tipo de negócio agora. Mas ainda não se pode dizer que mudaram de mentalidade. Encontrar uma pessoa disposta a financiar um empreendimento inteiro ainda é muito difícil”, diz Vasques, da HotelInvest. Na avaliação do sócio da consultoria hoteleira BSH International, José Ernesto Marino Neto, a pujança do setor hoteleiro brasileiro está no interior, e deverá continuar assim por algum tempo. “Famílias muito ricas decidem investir em hotéis de duas ou três estrelas como forma de diversificação. São essas pessoas que estão movimentando o segmento”, afirma. A rede Accor, que conta com nove bandeiras no país, deverá inaugurar 88 novos hotéis até 2015 – o equivalente a 13 mil apartamentos. Desse total, a metade corresponde a hotéis da bandeira Ibis e Ibis Budget – novo nome do Formule1, que corresponde à categoria econômica da empresa. O interior do país continua como o principal destino dos investimentos. “Em São Paulo, temos 45 hotéis em operação e nenhum em construção”, afirma Abel Castro, diretor de desenvolvimento da Accor América Latina. A empresa está, inclusive, testando o modelo de franquias para acelerar a expansão. “São unidades operadas por terceiros que seguirão o mesmo padrão de excelência e terão a supervisão da Accor”, diz. Burocracia e tributação – O grande pleito das redes hoteleiras com interesse no país é um financiamento mais alongado por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – que hoje disponibiliza uma linha de crédito com prazo de pagamento de, no máximo, dez anos. "Financiar um projeto com esse horizonte é muito arriscado, pois o prazo é muito curto", afirma Cabau, da Atlantica Hotels. Como os retornos nos empreendimentos hoteleiros são de longo prazo, acabam sendo interessantes para investidores pessoa-física que desejam adquirir um apartamento dentro do empreendimento. "É dessa forma que financiamos a maior parte de nossos hotéis", diz o executivo. Contudo, mesmo com um investidor a postos, não significa que o cenário se abranda. Há a segunda etapa: a aprovação do projeto por parte das autoridades. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, leva cerca de um ano para autorizar a construção de um hotel na cidade. No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, devido à urgência da Copa, as prefeituras implantaram um sistema de aprovação relâmpago para tentar atrair investidores. Informação | Veja ![]() |
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