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Criação de clipes para a internet profissionaliza pequenas produtoras
Escrito por Uai   
Seg, 21 de Novembro de 2011 11:00

Liah Beyoncé de DivinópolisBeyoncé pisa com o salto alto sobre os corpos dos homens moribundos, olha para o alto, rebola, sacode, quebra o pescoço e canta sobre a dominação feminina no planeta Terra. Mas, se reparar bem, o espectador vai ver que aquela não é bem a Beyoncé. Se a cena é a mesma do videoclipe da cantora pop, o cenário é outro: quem já passou por ali sabe que se trata da área embaixo do viaduto do Bairro Esplanada, em Divinópolis, Região Centro-Oeste de Minas. A produção do webclipe impressiona, ainda mais diante do que se espera de vídeos criados exclusivamente para a internet. Mas a era do desprezo com o www parece ter mesmo acabado. Enquanto as outras Beyoncés genéricas por aí (do Piauí, de Mato Grosso e do Ceará) apostam na tosqueira dos vídeos, a Beyoncé de Divinópolis, nascida Rose dos Santos Silva, decidiu contratar um profissional para cuidar de sua estreia na websfera.

Rose, ou , canta na Lex Luthor, banda-show especializada em festas de formatura, com direito a muita performance e figurinos temáticos. Entre um Abba e um Village People, a semelhança com a cantora americana levou ao cover óbvio. E daí para o videoclipe foi um pulo. No discurso, a jovem de 25 anos (“cantora desde os 13”) incorpora os clichês do estrelato ao fugir da comparação do aspecto profissional do seu clipe com o apresentado pelas Beyoncés brazucas da concorrência: “Somos todos artistas tentando um espaço, um sonho, um ideal”. Um pouco mais de conversa e ela deixa escapar: “Tem gente que faz qualquer coisa, de qualquer jeito, porque está interessada é só na fama mesmo. Eu não. Quero que uma coisa feita com cuidado chegue ao meu público”. E ela até fala na terceira pessoa: “O que diferencia a Liah Beyoncé é a seriedade, o profissionalismo, a gente não está brincando de YouTube”.

Quem comemora é o videomaker Júlio Maia, especializado em videoclipes de debutantes (“mas nenhum é com foto, não; é com imagem em movimento mesmo”, esclarece). Júlio mora em Divinópolis e enxergou no YouTube o filão que está redirecionando seus negócios. No fim do mês, ele grava o videoclipe da banda de rock Bonnie Aife, enquanto engata as pré-produções dos trabalhos em vídeo para o pessoal do sertanejo: a cantora Mara Amaral e a dupla Christian e Haley. Todos artistas que atuam na cidade. “O vídeo ali é vitrine tanto para o trabalho do artista quanto para o meu”, profetiza o jovem, que deixa, na legenda do clipe, seus contatos telefônicos e o ambicioso aviso: “Faça também o videoclipe da sua banda. Atendemos em toda a região Sudeste”. De fora do estado, por enquanto, só mesmo os clipes para debutantes.

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A cada gravação, Maia cobra R$ 800 do artista pelos serviços de filmagem, com três câmeras Full HD e a edição. Todas as despesas com a parte da produção que vá além da cinematografia correm por conta do artista/empreendedor. O clipe de Liah Beyoncé teve até playback que a moça gravou, com sua própria voz. Dois dias de gravação e três de edição depois, saiu do forno este que foi o primeiro trabalho de Maia como diretor de videoclipes musicais. Publicadas em setembro, as duas versões do vídeo (uma inclui making of) passam das 35 mil visualizações, o que, para os parâmetros de megahits não significa muita coisa, mas é muito mais do que Liah ou Maia poderiam esperar.

Entre amigos “Hoje, na internet, um artista pode ser lançado globalmente sem custos de produção. É o meio mais massivo para a divulgação de artistas desconhecidos ou consolidados”, diz o ator (e agora diretor de videoclipes) Leonardo Fernandes, que dirigiu o clipe da banda Bugiganga, de Vespasiano, também com foco exclusivo no YouTube. As gravações envolveram mais de 100 figurantes e contou com a forcinha dos amigos na cerveja e na infraestrutura. Das experiências como ator de curtas-metragens, Leo adquiriu gosto pela coisa, comprou o equipamento e convidou profissionais já tarimbados, como o diretor de fotografia Keiner Santos e o cinegrafista Victor Gutemberg. Na camaradagem, embarcaram no primeiro trabalho de Fernandes na seara dos webclipes, que deve ficar pronto no início de janeiro – a première será em restaurante da cidade.

IMPROVÁVEL BOMBOU

Quatro milhões de acessos por mês, em média 135 mil acessos por dia. São esses os números da webserie mais vista no Brasil desde 2009. A Cia. Barbixas de Humor, com trechos do fenômeno de improvisação Improvável, encontrou na web poderoso aliado para transformar em hit o trabalho bem-humorado e afiado dos rapazes. Improvável é espetáculo de cenas breves, criadas a partir de sugestões do público. Com formato semelhante ao sucesso televisivo Whose line is it anyway?, o sucesso dos minivídeos na rede podem parecer improvável coincidência, mas nesse caso não rolou improviso. “Em 2008, testamos formatos de vídeo, posições de câmera, equipe. Em 2009, todo nosso planejamento foi baseado nisso, e captamos todos os espetáculos em HD”, conta Daniel Nascimento. Hoje, o grupo posta, religiosamente, um vídeo novo toda quinta-feira – e lota teatros Brasil afora.

Informação | Uai

 

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