| Organizar as finanças pessoais é também fator de equilíbrio no trabalho |
| Escrito por Mauricio Lessa dos Reis | ||||
| Qua, 13 de Outubro de 2010 13:15 | ||||
A frase “é proibido ter lucro abaixo da linha do Equador”, foi usada por muito tempo para identificar a cultura latina e sul americana de aversão ao lucro. Lucro era tido como algo pecaminoso e realmente proibido. Não era ético ter lucro. Parece que os países desenvolvidos, tidos como do “primeiro mundo”, situados acima da linha do Equador, achavam “até bom” essa contra cultura a respeito de lucro e lucratividade, comuns aos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Com o passar do tempo este conceito de aversão ao lucro vem mudando. O próprio conceito de dinheiro também deve mudar. A percepção de que dinheiro é “coisa suja”, de que gente rica não vai para o céu e outras crenças desta natureza, aos poucos vão sendo dissipadas. O que é uma coisa boa. Porém, estes velhos e ultrapassados conceitos a respeito de lucro, dinheiro e trabalho devem ser substituídos por bons conceitos. Imaginar que trabalho é castigo, que o grande sonho a ser vivido pelo trabalhador é o da aposentadoria, ou que trabalho é algo penoso e desagradável também nada acrescenta. Ao conceber lucro, dinheiro e trabalho nas formas acima descritas, fazem com que a pessoa passe a vida com problemas financeiros, desorganizado monetariamente e infeliz no trabalho. A pessoa com problemas financeiros e infelicidade no trabalho, significa que tem infelicidade na vida. E desta forma tudo vai mal. Não há dinheiro que chegue para se pagar as contas. As dívidas aparecem, as cobranças surgem e com ela a desmotivação e até a depressão. A organização das finanças pessoais pode servir como base para o êxito na própria careira e profissão. Pode conduzir a pessoa em fase estudantil o no início da carreira a ter melhores resultados. Para quem já esta com a carreira em consolidação, ainda é tempo. Maiores possibilidades de aproveitar as oportunidades. Maior tranqüilidade. Sobra tempo para as coisas úteis e felizes da vida.
Em outras palavras, todo o resto fica bem mais fácil de alcançar quando se tem a tranqüilidade advinda de uma postura saudável em relação ao trabalho e as finanças. Parece algo muito óbvio, “mas o óbvio só é óbvio para a mente preparada”. Vejamos a seqüência: ganhar – poupar – investir – gastar. Só pode poupar quem tem ganho, renda ou recebimento. E uma renda saudável é sempre originada no trabalho digno e honesto. Um trabalho ético e feliz produz renda com maior prazer e satisfação superior. Desta forma e, caso você esteja fazendo o que gosta, ou gostando do que faz, o trabalho deixa de ser castigo e passa a ser prazeroso. O ganhar passa a não ser tão penoso nem torturante. Vive-se menos a eterna espera pelo final de semana, feriado, férias, etc. Quem poupa e faz um consumo moderado e responsável, junta recursos suficientes para o terceiro passo da roda que é investir. Só depois, por último vem o gastar, também com responsabilidade e moderadamente nas questões de diversão, entretenimento, passeios e coisas supérfluas que trazem a pessoa alguma alegria e satisfação momentânea. O problema é quando se inverte o sentido da roda. Gasta-se antes de ganhar. Gasta-se desproporcionalmente mais do que se ganha. Aumentam-se as despesas e prestações, nada se poupa, o consumo vira irresponsável e abusivo. A vida vira uma desordem, um caos. Por mais prazer que inicialmente o gasto desenfreado possa trazer, as conseqüências são sempre desastrosas em médio e principalmente em longo prazo. Compulsões desenfreadas com relação a consumo e gasto de dinheiro, devem ser tratadas rapidamente. O auto-controle também neste campo, deve ser exercitado desde a mais tenra idade, para que a pessoa possa ter a paz e tranqüilidade desejada para ter sucesso (ter o que deseja) e felicidade (desejar o que tem). A disciplina que versa sobre finanças e investimentos deveria ser aplicada já nos primeiros anos da escola. A cultura brasileira e sul americana em relação às finanças, deve melhorar significativamente, para que a nação tenha inclusive mais tranqüilidade e paz. Neste campo, países acima da linha do Equador já a detém há muito tempo. Antes de a criança nascer, ou logo em seus primeiros anos de vida, os pais já fazem uma poupança e investem recursos no futuro de seus filhos. Quem sabe em breve chegaremos lá. Quem sabe não será mais pecaminoso auferir lucro, pois o conceito de lucro terá sido ajustado. Nem tampouco dinheiro será considerado sujo, pelo contrário, uma justa medida em retorno ao esforço e dedicação de cada um. Maurício Lessa dos Reis é consultor do IEL/FIEMG e escreve semanalmente neste caderno.
|