| Até onde vai o underground? |
| Escrito por Gabriel Menezes |
| Seg, 28 de Setembro de 2009 16:55 |
| Olá senhoras e senhores, Não sei quanto à vocês, mas eu assisto bastante televisão. E como não posso usufruir do privelégio dos benefícios de cabos e satélites, muitas das vezes fico mergulhado mesmo é na mediocridade da gloriosíssima Rede Globo. Mas, pegações de pé à parte, volta e meia dou umas topadas bruscas com músicas do underground fazendo vezes de trilha sonora em programas nada alternativos.Escutar Placebo, Explosions In The Sky, e Radiohead no Fantástico é igual pastel de carne na rodoviária, batata. Todo domingo a "sua revista eletrônica" lhe oferece uma pequena dose de música boa e diferente, escondida sob imagens, barulhos e, como não admitir, mensagens. É claro que é bastante difícil de perceber, mas quem já conhece os ditos cujos acaba identificando as nuances lá no fundo. Pois bem, tive esses dias (é fato que já faz um tempo... mas essa idéia só veio me ocorrer agora...) uma estrondosa surpresa assistindo ao (sim, é verdade) NO LIMITE. Como eu já disse, melhor não discutir o caso em questão, senão esse post nunca vai acabar. Mas, num daqueles vídeos dramáticos dos "heróis" daquela futilidade, aqueles que precediam os tão temidos "portais", levei um murro no queixo (não se esqueçam de que tudo nessa vida é relativo...) ao perceber que aquele clima de suspense e expectativa que eu estava percebendo era nada mais, nada menos do que MOGWAI. Sim senhoras e senhores, o próprio. Fiquei meio confuso por alguns segundos, meio sem entender mesmo. Será que eu tô ficando louco? Mas não, estava tudo no lugar, menos aquela música. Bom, aí meu objetivo passou a ser identificá-la. Depois de gastar um bocado dos meus neurônios (que lá vão diminuindo) descobri que a bendita da música era a faixa número 10 do disco "Mr. Beast", de 2006, intitulada "Were No Here". Foi então que lembri-me de outra intrigante observação que pude fazer assitindo televisão nos últimos tempos. E quando eu digo televisão, estou sendo abrangente mesmo, sem fazer distinção de emissora, programa ou horário. Bom, como não poderia deixar de ser, fiquei incomodado com aquilo. De fato, isso me levou a questionar exatamente essa questão do underground. Será que esse negócio existe mesmo? Será que a gente fica, na verdade, é vivendo num mundo alternativo que não existe? De fato, não obtive respostas muito objetivas para essas perguntas, mas algumas conclusões deu pra tirar. Não dá para ficar separando os "mundos musicais" e pensar que eles não se misturam. Obviamente, da mesma forma que eu (ou você que está lendo) fui atrás desse mundo alternativo musical, outras pessoas, dos mais variados estilos, também foram. E com certeza tem alguém lá na Rede Globo e nas outras emissoras que conhece Mogwai, Mono, Explosions, Neutral Milk Hotel, H.U.M. e mais um monte de "bandas que ninguém conhece". Não estou querendo dizer que a cena underground não existe ou que é fruto da imaginação. A questão que estou levantando é que ninguém passa batido nesse mundo. Ou seja, nenhuma banda que tenha um mínimo de qualidade e que consiga desenvolver uma carreira, senão bombástica, ao menos consistente, irá permanecer escondida no seu porão para sempre. Tenho um amigo que justifica a presença de tantas bandas alternativas no Fantástico com a presença do senhor Álvaro Pereira Júnior. Esse rapaz (Álvaro, não o amigo) é um dos produtores do programa, além de ser reporter. Paralelamente a isso, ele escreve, ou escreveu, uma coluna na Folha de São Paulo, em que comenta carreiras e discos de diversas bandas alternativas, entre outros assuntos. Pois então, se ele está lá e conhece as músicas, por que não usá-las? Se você estivesse no lugar dele, conhecendo também todo esse universo musical interessante, não faria o mesmo? Portanto, minha mensagem final é: "Vamos parar com esse puritanismo de achar que banda underground tem que viver no porão para sempre!" (Acreditem, essa mensagem serve tanto pra mim quanto para qualquer outro que, assim como eu, sempre foi radical até o último fio de cabelo nesse assunto...) Seguem então os links para baixar os discos em questão. Baixe, escute e crie sua própira opinião. E, a partir de agora, melhor você prestar mais atenção no que você está escutando na televisão. De repente, pode ser algo bastante interessante e você não está percebendo.
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