| Números de abuso infantil são maiores que os divulgados em MG |
| Escrito por G1 | ||
| Qui, 26 de Abril de 2012 14:00 | ||
A estatística: Dados alarmam autoridades Na primeira reportagem, os números de abusos são alarmantes e podem ser bem maiores em cidades como Uberlândia, Uberaba e Divinópolis. E eles começam, de acordo com especialistas, na maioria das vezes dentro de casa. Em Uberlândia, segundo dados do Centro Municipal de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Cemaia), o número de vítimas de estupro de vulnerável cresceu quase 65% em 2011 em relação a 2010. O local que concentra as ocorrências dos três Conselhos Tutelares, da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente e da Promotoria da Infância e Juventude atendeu em 2011, 498 famílias. Em 2010 foram 302. Os casos vão desde tentativas de abuso sexual ao fato consumado. E até o dia 29 de fevereiro deste ano, 10 inquéritos haviam sido instaurados na Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente da cidade. A redação pediu à Secretaria de Comunicação da cidade a atualização dos dados, já que mais casos foram registrados em 2012, contudo, até o fechamento desta reportagem, não responderam à solicitação.
Em Uberaba, a coordenadora do Conselho Tutelar, Elci Maria de Jesus, informou que em 2011 foram registrados 55 casos envolvendo os mais diversos tipos de abuso infantil, desde ocorrências envolvendo crianças molestadas até estupro. Este ano já foram registrados 22 casos na cidade, até agora. De acordo com a especialista, a maioria dos casos de abuso sexual realmente acontece dentro do ciclo familiar, por alguém de confiança da família. “Em cerca de 80% dos casos registrados pelo Conselho Tutelar, as crianças são vítimas de alguém do ciclo íntimo da família, ou até mesmo um parente próximo. E acredito que a questão não é que aumentaram os casos, mas sim que as famílias estão denunciando mais e mais conscientes dos direitos das crianças e da importância de protegê-las”, relatou a conselheira. Mas as estatísticas apresentadas pelos Conselhos Tutelares não mostram toda a realidade envolvendo este tipo de crime. Em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, dados do Conselho Tutelar apontam esta realidade. Segundo a coordenadora da instituição, Aline Fernanda Santos, em 2011 foram registrados 25 novos casos envolvendo abuso sexual de crianças e este, ano até agora, foram seis casos. Contudo, a especialista alerta que alguns casos não entram nas estatísticas do Conselho Tutelar, pois são encaminhados para a Delegacia de Mulheres e para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), local que oferece serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos como violência física, psicológica, sexual, entre outros. Esta duplicidade nos dados pôde ser confirmada quando a redação entrou em contato com a coordenadora do Creas em Divinópolis, Lucinda Basílio Vieira. A coordenadora do Centro disse que todos os casos são reportados ao Conselho Tutelar, porém por algumas questões não entram nas estatísticas. Para se ter um comparativo, só este ano foram atendidos 35 casos de abuso infantil na instituição. Em 2010 foram 90 casos e em 2011 cerca de 70. “Em todos os casos são repassadas as informações para o Conselho Tutelar, entretanto, alguns não entram nas estatísticas. Um dos agravantes que vemos nos casos que acompanhamos hoje em dia é a idade das vítimas que diminui a cada dia. Os casos geralmente envolvem pessoas próximas como pais, padrastos, irmãos. É raro o registro de abuso por um desconhecido da família. As famílias precisam ficar atentas aos sinais, pois as vítimas tendem a apresentar mudanças de comportamento. O primeiro sintoma e mais comum é a queda no rendimento escolar da criança”, relatou Lucinda. Ainda de acordo com a coordenadora do Creas, até mesmo as crianças estão mais conscientes da importância de denunciar os casos de abuso. “Aqui já tivemos quatro casos de adolescentes que nós procuraram para denunciar e buscar ajuda. Os jovens estão ficando mais conscientes, mas infelizmente ainda existem alguns desafios quando o assunto é abuso infantil”, finalizou. Informação | G1 |
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