| O Clube da Esquina ganhou o mundo com a ajuda das mulheres |
| Escrito por Uai | ||||
| Seg, 09 de Maio de 2011 12:00 | ||||
Por ali, Duca viu passar os principais nomes da música, do teatro e do cinema, além de militantes de esquerda como José Carlos da Mata Machado. Vindo do Araguaia, onde atuou na luta armada, Zé Carlos frequentou a casa de Santa Teresa. Pouco depois, foi assassinado por agentes da repressão. “Ainda que fosse produto do movimento hippie, eu já era a favor de valores feministas”, relembra Duca Leal. Integrante do Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA) – inclusive, visitou presos políticos na cadeia ao lado de Chico Buarque e Paulinho da Viola –, ela não deixou a militância depois do fim da ditadura. Atualmente, integra o movimento sindical de professores de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde mora com a filha, Raquel, de 16 anos, do casamento com o sociólogo carioca Marcos Pegado. Rafael, de 18, é o primogênito do casal. Com Márcio Borges, Duca teve José Roberto, de 38, e Gabriel, de 36, que lhe deram cinco netos. “Às sextas-feiras/ Fazíamos feira/ Em Santa Tereza/ Tomávamos cerveja/ Com peixe frito/ Enquanto descansávamos nossas sacolas coloridas/ Não cumpríamos horário/ Nos dias úteis dos anos 1970/ Éramos livres/ Jovens artistas”, escreveu ela em Tentativa, coletânea inédita de seus poemas. Oriunda de família de classe média, Duca admite: quando passou a frequentar o meio musical, não se identificou com a “loucura” dos artistas. “De repente, tive de recuar um pouco da minha própria rebeldia”, revela, lembrando que, ao se casar, não aderiu nem à caretice familiar nem às extravagâncias da turma. “Passei a defender, apenas, cada qual com a sua toalha, seu lençol”, diverte-se. Além dela, integram a lista das “clubistas” Leise Brant, casada com Fernando Brant, e Cláudia Brandão, a atual mulher de Márcio Borges, entre outras. Pianista e produtora 3 A ceramista Silvana Maria de Freitas Guedes, ex-mulher de Beto Guedes, viu nascer pérolas do Clube da Esquina. “Estávamos na Cervejaria Brasil, em Belo Horizonte, e Beto me pediu para escrever a melodia que acabara de cantarolar. No dia seguinte, ele pediu que a tocasse no piano. Assim surgiu Sol de primavera”, conta. 3 No DVD que o compositor gravou no Teatro Francisco Nunes, Silvana chegou a tocar acordeom em uma faixa, cortada na edição. “Ele sempre me mostrava as músicas depois de prontas”, revela, orgulhosa. Ela chegou a abrir a Lumiar Produções Artísticas e empresariar shows do marido, mas foi obrigada a fechá-la por causa das reviravoltas econômicas do desastroso governo Fernando Collor. 3 Viagem das mãos, que rendeu disco de ouro a Beto, teve show de lançamento produzido por Silvana, que elege a extinta Cervejaria Brasil, no Bairro Funcionários, como o point predileto do Clube. A matriarca Quem, como eu, assistiu à inauguração da placa alusiva ao Clube da Esquina no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Santa Tereza, em 1996, talvez possa dimensionar a importância da presença feminina no movimento. Microfone em punho, Maria Fragoso Borges, a dona Maricota (1920-2006), mãe da prole musical mais famosa da capital, desafiou a população do tradicional bairro da Zona Leste, ao lembrar acusações feitas a seus filhos e amigos, que passavam tardes e noites naquele local, cantando e tocando violão. Segundo revelou na cerimônia, que contou com a presença do próprio Milton Nascimento, “maconheiros” era o mínimo como os rapazes eram chamados na época. Mãe de Marilton, Márcio, Sandra, Sônia, Sheila, Lô, Yé, Solange, Sueli, Telo e Nico Borges, dona Maricota, ao receber Milton, recém-chegado de Três Pontas, no apartamento do Edifício Levy, no Centro de Belo Horizonte, acabou dando-lhe a alcunha de 12º filho dos Borges. Mesmo que, por ordem cronológica, Bituca, como ficou carinhosamente conhecido, tivesse de ser o primeiro – à frente mesmo do mais velho, Marilton. Em 1963, quando o mundo, o país, o estado e a capital se defrontavam com o preconceito racial, escancaradamente dona Maricota abrigava, com todo o seu carinho, aquele “rapaz de 20 anos, negro, magricela e tímido”, como descreve Márcio em Os sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina. Informação | Uai
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