| Vereador despacha de cueca samba-canção na Câmara de BH |
| Escrito por BHz News |
| Ter, 18 de Outubro de 2011 09:00 |
A filmagem reproduzida nas fotos da reportagem tem como palco o gabinete do parlamentar na sede da Câmara. Não dá para saber quando o vídeo foi gravado. Além de ser o protagonista das cenas, Gêra é também o responsável pela produção e direção do filme num comportamento conhecido como exibicionismo compulsivo. Ou seja, é o próprio parlamentar socialista quem realiza as filmagens ocultas com uma câmera escondida numa caixeta de papelão. Ao todo, o vídeo possui 45 minutos de duração sendo 14 minutos de imagens gravadas dentro da Câmara e o restante em tomadas externas recheadas de cenas proibidas para menores. Para piorar a situação do vereador – que tem tudo para virar alvo de um processo por quebra de decoro –, o vídeo veio à tona em um contexto de corrupção. Gêra é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter montado um esquema de mensalinho no gabinete. Tanto que virou réu em uma ação de improbidade que corre no Tribunal de Justiça do Estado. Nela, o MPE pede o afastamento do cargo, o ressarcimento dos valores recebidos a título de propina e o sequestro de bens. Em troca da manutenção do emprego no gabinete, ele extorquia, segundo o MPE, parte do salário de um assessor. Insatisfeito com os achaques, o ex-funcionário confiscou uma cópia do vídeo e entregou para um grupo de promotores de Justiça de Belo Horizonte. Na denúncia, os promotores sustentam que o vereador amealhou R$ 690.182,23 pelo esquema de pagamento do mensalinho. Com autorização da Justiça, o MPE conseguiu a quebra do sigilo bancário e descobriu que o dinheiro foi depositado na conta corrente do parlamentar no período de 1997 a 2006. Convocado a prestar esclarecimentos, Gêra não conseguiu comprovar a origem do recurso. Para reforçar o pedido de afastamento, os promotores fazem menção a filmagem. “Fita de vídeo anexada à investigação e ora incorporada aos autos mostra a prática de atos libidinosos pelo vereador Geraldo Ornelas Guimarães em seu gabinete parlamentar, no prédio da Câmara Municipal”, relatam. E prosseguem: “O elemento grave e inaceitável nos atos praticados pelo requerido é o mau uso da máquina administrativa em todos os níveis, em proveito pessoal, sem barreiras éticas ou morais, com o nítido propósito de obtenção de vantagem. O cargo público é utilizado somente como passaporte para a consecução de objetivos primitivos e ilícitos”. O TJ ainda não se posicionou sobre o escândalo. Especialistas apontam compulsão patológica Ao analisar o caso em tese, a professora Paula de Paula, do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), declarou ser incomum a prática do exibicionismo no local de trabalho. Na avaliação da especialista, ao adotar o comportamento dentro do próprio gabinete na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vereador Gêra Ornelas (PSB) pode ter ultrapassado o limite do chamado “narcisismo exacerbado” e explicitado uma patologia considerada incomum. “Comportamento assim no local de trabalho é muito incomum. O que vimos nos últimos 30 anos foi uma proliferação do culto a imagem, da autoadmiração. Mas isso é comum na intimidade, entre quatro paredes e com o consentimento das partes. Extrapolar isso para a vida pública, além de ser altamente arriscado, pode ser caracterizado como uma compulsão indomável”, analisa. Para a professora Paula de Paula, o perfil do parlamentar é o do indivíduo que cria um personagem incapaz de respeitar qualquer tipo de limite ético ou moral. “Analisando pelo ponto de vista sociológico, ele pode ter criado e encarnado o personagem da virilidade. Com isso, cresce os indícios de que ele está fascinado pela própria imagem do personagem criado por ele mesmo. É importante que ele caia na real e procure um tratamento, mas isso é uma iniciativa que deve partir do paciente”, explica. Também falando em tese, a psicanalista Maria Íris Siqueira Mendes acredita se tratar de um caso de desvio de caráter motivado pela sensação de impunidade. “Para satisfazer os desejos há um subjulgamento de todos os parâmetros éticos, morais da probidade administrativa. Este tipo de comportamento tem forte ligação com a atual conjuntura do país”, diz. De acordo com Maria Íris, não se trata de um caso de patologia clássico, e sim de uma sociopatia. O perfil dos sociopatas englobam, entre outras características, o desprezo pelas obrigações sociais, irresponsabilidade e a falta de consideração com as outras pessoas. “Esses casos devem ser analisados de perto, contando principalmente com informações da vida pregressa do indivíduo. Esse perfil é de pessoa que se julga acima da lei.” Informação | BHz News - www.bhznews.com.br |
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