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Home Mulher A gente se adapta, mas sente uma saudade…
A gente se adapta, mas sente uma saudade…
Escrito por Época   
Ter, 31 de Janeiro de 2012 15:00

Eu esvaziava mais uma caixa quando encontrei uma foto da minha filha mais velha com suas amigas. Numa reação quase instintiva, estiquei o braço entregando para ela. “Olha, filha!“. Com o olhar fixo na televisão, ela parecia não me escutar. Quando eu já mudava de ideia sobre levantar o assunto Brasília novamente, ela pegou da minha mão a foto. O olhar dela parou. Vi um sorriso tentando se libertar, mas ele se perdeu num par de lábios levemente esticados com uma ponta de tristeza ao fundo. Alguns segundos depois, ela olhou para mim. “Estou com saudade dela. Deixa eu ver mais um pouquinho…“. Àquela altura, eu era só revestimento. Meu interior havia desabado.  “Meu Deus, será que eu não tomo jeito?”, pensei. “Vamos ligar para ela, ok?“, propus, animada. Ela concordou com um aceno de cabeça, e logo voltou a atenção para a televisão como se nada tivesse acontecido. Eu fui me recompor escondida de mim mesma porque, aqui entre nós, nessa história de mudar de lugar, de abandonar a casa montada com tanto esmero, de abrir mão da rotina que funcionava, o que mais dói em mim é a saudade que minhas filhas sentem do que passou. Eu sei, eu sei que isso é temporário, mas eu sofro.

Quem já teve de se mudar com criança a tiracolo sabe bem a trabalheira que dá, os esforços que precisam ser feitos para introduzi-la num novo esquema que funcione: escola, brincadeiras e também o novo ninho. A subta falta da rotina torna mais evidente a imprevisibilidade da vida e, minhas passarinhas, ainda estão meio desarvoradas. E sem ninho. Seria tão prático se pudéssemos carregar a casa com balões, como no filme UP. Mas…tudo se ajeita e tudo se arruma. O que a gente não pode é desanimar diante delas. Mostrar à criança que o novo é excitante, que a amizade que chega é estimulante e que tudo isso vem compor o que somos. Deixamos um pouco de nós nos lugares onde vivemos, é verdade, como se tivéssemos que lidar para sempre com o buraco que ficou, mas carregamos muito mais na partida. Quando vamos embora, além das malas e das caixas, carregamos também memórias, experiências e pessoas que passamos a amar.

Infomração | Época

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