Home Mundo Meio Ambiente Macaco considerado extinto é reencontrado na Indonésia
Macaco considerado extinto é reencontrado na Indonésia
Escrito por Veja   
Seg, 23 de Janeiro de 2012 14:00

Família de Miller's Grizzled Langurs posa para armadilha fotográfica na ilha de BornéuDurante um estudo sobre o comportamento de leopardos e orangotangos na ilha de Bornéu, na Indonésia, um grupo de cientistas se deparou com um animal considerado extinto: o langur grisalho de Miller, ou langur-cinzento. O animal, de porte médio, apareceu em milhares de imagens tiradas por armadilhas fotográficas na floresta Wehea, um santuário ecológico de 38 mil hectares cercado por lavouras, cidades e áreas degradadas.

O macaco é curioso e se aproximou bastante das lentes, mas os pesquisadores tiveram muita dificuldade para identificá-lo. Acreditava-se que o animal, cujo nome científico é Presbytis hosei canicrus, estava extinto desde 2004. Uma nova expedição, em 2008, ainda tentou localizar a espécie, se sucesso. O animal faz parte do gênero Presbytis, que engloba pequenos primatas das ilhas de Bornéu, Sumatra, Java e península malaio-tailandesa.

"Foi desafiador confirmar a nossa descoberta, pois existem pouquíssimas imagens do macaco. A única descrição dele vinha de museus. Nossas fotos, agora, são as melhores imagens disponíveis", disse Brent Loken, da Universidade Simon Fraser, no Canadá.

Os cientistas estavam procurando no lugar errado quando fizeram as expedições. Eles acreditavam que o habitat do langur-cinzento se limitava a uma pequena porção de florestas no nordeste da ilha, local que sofreu com a chegada de agricultores, incêndios e exploração dos recursos naturais.

Já a floresta Wehea fica a milhares de quilômetros do local, no leste da ilha. "É muito longe do habitat conhecido do P.h canicrus, daí a surpresa", afirma Loken. "Precisamos fazer mais pesquisas para estimar a densidade populacional da espécie", completou ele.

Os cientistas apostam na descoberta, publicada na revista American Journal of Primatology, para chamar atenção para a necessidade de proteger espécies ameaçadas na região.

"É uma corrida contra o tempo. É difícil adotar estratégias de conservação quando nem sequer sabemos a extensão do local onde vivem as espécies. Precisamos de mais cientistas no campo trabalhando em espécies pouco estudadas, como os langures-cinzentos, leopardos e ursos do sol", afirmou Stephanie Spehar, professor de Antropologia da Universidade de Wisconsin Oshkosh, nos Estados Unidos.

Informação | Veja

 

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