| Europeus vendem os próprios órgãos para sobreviver à crise |
| Escrito por O Tempo | ||
| Seg, 02 de Julho de 2012 14:00 | ||
Pavle Microv e sua namorada, Daniella, conferem, ansiosamente, a caixa de e-mail do casal a cada 15 minutos, desesperados por uma salvação econômica: um comprador disposto a pagar quase USD 40 mil (cerca de R$ 80 mil) por um dos rins do casal. Pavle e Daniella, pais de dois adolescentes, colocaram seus órgãos à venda em uma página local de classificados na internet há cerca de seis meses, depois de Pavle, 50, ter perdido seu emprego em uma fábrica de carne. Desde então, ele não conseguiu encontrar um novo emprego, segundo conta, e tem ficado cada dia mais desesperado. Quando seu pai faleceu, recentemente, Pavle não teve dinheiro para comprar um jazigo. Seu telefone está cortado. A única extravagância da família, agora, é uma refeição diária de pão com salame. "Quando você precisa ‘botar’ comida na mesa, vender um rim não parece um sacrifício tão grande", afirma. Segundo especialistas, desesperados pela pobreza, europeus estão cada vez mais dispostos a venderem seus rins, pulmões, medulas ou córneas. O fenômeno é relativamente novo na Sérvia, uma nação que foi despedaçada por guerras e agora luta para sobreviver à crise financeira que varreu o continente.
Na Espanha, Itália, Grécia e Rússia, anúncios de pessoas oferecendo órgãos - bem como cabelos, sêmen e leite materno - se acumulam na internet, com preços como o de um pulmão, oferecido por US$ 250 mil (R$ 500 mil). No fim de maio deste ano, a polícia israelense deteve dez membros de uma organização criminosa internacional suspeita de tráfico de órgãos na Europa, segundo oficiais da polícia da União Europeia. De acordo com os oficiais, os suspeitos tinham como alvo as populações empobrecidas de Moldávia, Cazaquistão, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia. "O tráfico de órgãos é uma indústria em crescimento", afirma Jonathan Ratel, um promotor especial da União Europeia que conduz um caso contra sete pessoas acusadas de convencerem vítimas pobres da Turquia e de países anteriormente comunistas, como Kosovo, a venderem seus rins com a falsa promessa de que do pagamento de até US$ 20 mil (cerca de R$ 40 mil). "Grupos internacionais de Crime organizado usam como presa as pessoas vulneráveis dos dois lados da corrente: As pessoas sofrendo da pobreza crônica, e os pacientes desesperados e ricos, que fariam qualquer coisa para sobreviver", completa o promotor. Tradicionalmente, os países que enviavam órgãos eram a China, a Índia, o Brasil e as Filipinas. Contudo, especialistas afirmam que os europeus estão cada vez mais vulneráveis. Informação | O Tempo |
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