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Quem é o pai?
Escrito por Época   
Qui, 28 de Junho de 2012 17:00

Tenho assistido meio enojado ao espetáculo que se montou em torno da gravidez da modelo Carol Francischini, de quem eu nunca tinha ouvido falar. Especula-se em tom de piada sobre quem seria o pai da criança. Discutem-se os famosos com quem ela saiu, publicam-se listas, só falta que se façam bolões. A moça já disse que sabe quem é o pai e que não quer tornar a informação pública. Foi ignorada. A maioria moral não está interessada em qualquer versão menos picante da história. O que importa é a fofoca e a condenação: como essa mulher não sabe quem é o pai do filho dela?

É fácil perceber que continuamos julgando as mulheres pelos padrões morais da década de 50. Há pelo menos 30 anos elas trocam de namorados, trabalham, separam-se, engravidam e tocam a vida em liberdade quase absoluta. É evidente que muitas têm mais de um parceiro ao mesmo tempo, assim como fazem os homens. Mas, se uma delas engravida “fora do casamento”, vira bafo. Se não souber quem é o pai, vira escândalo. Diante de uma gravidez fora do padrão, retornamos aos padrões morais das peças do Nelson Rodrigues. A moça cai na boca do povo.

O moralismo que anima essas reações transforma a grávida que tem dúvidas sobre a paternidade do seu filho em várias coisas. Promíscua. Idiota. Irresponsável. Ou pior. O moralista não se interessa por circunstâncias, não dá atenção a situações emocionais complexas, não quer saber dos dilemas afetivos por trás de uma ou outra relação. Ele já tem suas opiniões. Tudo o que o moralista precisa saber é que há algo de errado, muito errado, numa mulher grávida que não sabe apontar o pai do seu filho.

Será mesmo? Talvez eu esteja descolando da realidade moral brasileira, mas não acho. No mundo relativamente careta em que eu vivo já vi acontecer algumas vezes. Não é um fato banal ou corriqueiro, mas tampouco é uma raridade. Acontece, e o roteiro poderia se repetir com qualquer um: a mulher está ficando com dois homens, engravida, e não sabe com 100% de certeza de quem é o bebê. Tira a dúvida conversando sobre datas com o ginecologista ou faz um exame. A incerteza se dissipa em horas ou dias. Pronto. Seria o fim do mundo ou caso de execração pública? Claro que não.

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Acho que por trás do sentimento de escândalo está a convicção mal disfarçada de que as mulheres deveriam ser castas. Se isso não for possível, ao menos monogâmicas. Certamente elas jamais deveriam ser relacionar com mais de um homem de cada vez. Ainda que sejam solteiras. Quando uma mulher recusa esse limite, envolve-se com mais de um cara e engravida, vira um alvo fácil: “Quem mandou ser galinha?” Se fosse um homem a transar com duas ou três ou quatro mulheres estaria tudo bem? Claro que sim. Afinal, ele é homem...

Antes que me chamem de Polyana, não acho que essa situação seja simples. Certamente não recomendo que as moças saiam por aí engravidando de pai incerto. Na verdade, desaconselho firmemente. Sei por um milhão de razões que a gravidez deveria começar cercada de certeza e aconchego, não de dúvidas. E suponho que mulheres nessa incerteza essencial vivam momentos terríveis. O risco do desamparo afetivo ou material é enorme. Dito isso, eu sei também que milhões de seres humanos excepcionais nasceram de relações circunstancias, ilegais ou totalmente inadequadas. E que uma multidão ainda maior veio ao mundo quando seus pais perfeitamente casados não queriam ou não estavam prontos para recebê-los. Todos eles estão aí, contrariando estatísticas e desafiando convicções. Sendo felizes e fazendo os outros felizes.

Eu não sei quem é o pai do filho da Carol Francischini e nem me interessa saber. Ela diz que sabe. Afinal, a gravidez é dela. A vida é dela. O que o resto de nós poderia oferecer num caso desses é respeito. No mínimo, porque nenhum de nós sabe com 100% de certeza as circunstâncias em foi gerado. E se houvesse lá, no início da nossa vida, uma multidão de pessoas espiando, fazendo perguntas e piadas?

Eu não gostaria que isso tivesse acontecido comigo, e não recomendo que aconteça com ninguém.

Informação | Época, por Ivan Martins

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