| Ele faz tudo! |
| Escrito por Link | ||
| Seg, 16 de Agosto de 2010 17:30 | ||
Programas feitos para serem rodados no sistema operacional do celular, os aplicativos não fazem parte da realidade da maioria das pessoas que usam celular, mas isso deve mudar em breve. Eles são consequência da transformação do telefone móvel em computador portátil. E, junto da ascensão desses programas, entra em cena um novo personagem: o desenvolvedor de aplicativos. Profissão que nem sequer existia há cinco anos, ela surge agora como filão de mercado – e mesmo que o Brasil tenha 350 mil pessoas usando iPhone, e o Android ainda esteja se estabelecendo no País, há uma tendência clara. E esse mercado ainda começa a dar seus primeiros passos. Por aqui, o que tem se sobressaído é o desenvolvimento de aplicativos para grandes marcas e empresas. Mas se esse movimento faz que o mercado exista no País, ele também empobrece a criatividade da produção, já que esses profissionais trabalham não em projetos próprios, mas sim no de terceiros. “A base de iPhones está crescendo a cada dia, e com isso o número de downloads também”, explica Breno Masi, sócio-fundador da Finger Tips, que desenvolve esse tipo de programa. “Mas ainda não é o suficiente para manter toda uma estrutura de empresa, o investimento inicial é muito alto.” Masi explica porque o trabalho para marcas, foco de sua empresa, é tão atraente. “É um marketing que a empresa não impõe. O nosso aplicativo do Brasileirão tem a marca da Petrobrás e a média de uso dele por quem o baixou é de 15 minutos diários. São 15 minutos que, por vontade própria, a pessoa vai ter contato com a empresa. Isso é muito forte.” Paulo Câmara, diretor de mobilidade da Ci&T, que também produz aplicativos, vê uma mina de ouro nessa relação entre clientes e marcas via aplicativos. A empresa presta serviços de tecnologia da informação, mas, desde o final do ano passado, resolveu entrar nesse mercado emergente, com investimento inicial de R$ 3 milhões: “Queremos desenvolver para marcas, pois elas sabem que dessa forma vão conversar diretamente com o público A e B”, conta Câmara. Outra opção é apostar na publicidade. Foi o que fez o site Apontador. “Procuramos fazer aplicativos úteis e que sejam muito baixados e ganhamos vinculando publicidade a eles”, explica Rafael Siqueira, diretor da empresa. O carro-chefe é o Apontador Trânsito, que informa em tempo real como está o tráfego na cidade e já teve 90 mil downloads. “O Apontador Trânsito ganha ao expor a publicidade e se aperfeiçoa ao conseguir informações do usuários ”, explica Siqueira. Já a Uplay, empresa que produz conteúdo para celulares desde 2006, aposta na quantidade como diferencial e se associou a operadoras para isso. “Investimos muito em fazer aplicativos para as lojas das operadoras de telefonia. Assim nosso mercado se expande muito”, afirma Adriano Rayol, diretor e fundador da empresa. Em 2009, a empresa gerou um volume de 3 milhões de downloads, e uma receita de R$ 12 milhões, valor que corresponde a pouco mais de 0,1% dos US$ 4,2 bilhões movimentados na loja da Apple com as vendas de aplicativos para o iPhone. Se no geral os desenvolvedores ainda dependem de trabalhar para marcas e de publicidade, já existem algumas exceções. É o caso de Renato Pessanha, analista de sistemas que mora em Sorocaba, interior de São Paulo, e que nas horas vagas desenvolve aplicativos para iPhone. Dos mais de 240 mil programas disponíveis na App Store, 30 são de Renato. Um deles, o Forca, é pago e ficou entre os mais baixados no Brasil, México e Itália, atingindo boa colocação até mesmo nos Estados Unidos.
“Demorei quatro ou cinco dias para fazer o Forca e o lancei há um ano e oito meses e ele ainda está entre os 30 mais vendidos do País. Ganho mais dinheiro com a venda de aplicativos do que com meu emprego”, conta o desenvolvedor. O que falta então para transformar o hobby em profissão? “Na verdade, nada. Mas tenho medo que esse mercado mude completamente, por isso não confio”, explica. Todos concordam num ponto: o Brasil ainda não é um mercado certeiro devido à instabilidade e lentidão da internet móvel e ao alto preço dos aparelhos. “Com um 3G decente e preços de smartphones compatíveis com os lá de fora, esse mercado vai explodir”, prevê, confiante, Masi, da Finger Tips. “É como no início da internet: todos sabiam que era importante ter um site, mesmo sem saber o porquê. Em um futuro breve, todos terão de estar presentes nos smartphones por meio de aplicativos, desde o maior banco do País até a padaria da esquina.” Só então, programadores independentes como Pessanha poderão largar seus empregos e passar as tardes desenvolvendo seus próprios projetos – e ganhando por isso. Aplicativos para tudo Livros Banco Redes sociais Mapas Informações do Link |