| Viaje de navio com segurança |
| Escrito por IG | |||||
| Sex, 26 de Março de 2010 11:15 | |||||
O último sinal de alerta sobre a saúde dentro dos cruzeiros marítimos veio na semana passada, quando chegaram ao porto de santos 60 tripulantes de um navio com sintomas de diarreia e vômito. A mesma embarcação, uma semana antes, havia registrado idêntico problema com outros 300 turistas. Laudo pedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou que, na primeira vez, a causa dos sintomas foi a contaminação pelo norovírus que, em terra, já havia feito vítimas no litoral paulista (Guarujá, Santos e Praia Grande). “Nos últimos anos, a gripe e as gastroenterites por norovírus foram os grandes desafios para a indústria do cruzeiro. Muito mais do que ter cuidado com a alimentação, é preciso ficar atento à higiene para evitar a contaminação por esses vírus”, orienta Flávia Bravo, coordenadora do Centro Brasileiro de Medicina do Viajante, ao citar como dicas lavar as mãos com frequência e preferir talheres, pratos e copos descartáveis. “Quando detectado o surto de norovírus, todas as áreas dos navios passam por criterioso procedimento de limpeza e desinfecção (PLD): restaurantes, cozinhas, bares, lojas, spa, área de lazer, teatro, cassino, salão de jogos, academia, salão de beleza, áreas de circulação comum, cabines de passageiros e de tripulantes e banheiros públicos” afirma a Abremar em nota. Ainda que apenas um tipo de vírus tenha sido apontado como vilão no caso recente, a imunologista Elisabete Blanc do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro lembra que o despreparo dos funcionários que atuam nas cozinhas dos cruzeiros impulsiona os casos de intoxicação alimentar nos cruzeiros. “Culturalmente, a mão de obra na cozinha é muito ruim. Os preços dos cruzeiros eram muito mais altos no passado e para torná-los acessíveis houve necessidade de diminuir custos. Isso pode ter implicado em contratação de pessoal desqualificado na cozinha”, diz ela, que listou os problemas sanitários das cozinhas marítimas em parceria com a filha (Luisa Blanc) – ela realiza trabalho sobre o tema na Faculdade de Gastronomia da Universidade Estácio de Sá. Além das boas práticas de higiene da equipe que atua nas cozinhas, a temperatura e o tempo de exposição dos alimentos nas bancadas ajudam a proliferar bactérias nos alimentos. “Usar alimentos com maionese, e servir sucos muito naturais são situações propícias para as intoxicações. A orientação é preferir os alimentos que saem direto das cozinhas e que não fiquem muito tempo expostos nos bufês.” Estruturas frágeis
A primeira das mortes foi de uma universitária de 24 anos e a suspeita é de que ela tenha sido asfixiada pelo próprio vômito. A oferta excessiva de bebidas alcoólicas nas viagens, em especial no esquema ‘tudo incluso’ foi questionada e pode colocar em risco a saúde dos tripulantes, em especial os mais jovens. Dias depois, uma cadeirante de 32 anos também morreu em um cruzeiro. A causa não ficou clara mas, na embarcação, 380 pessoas tiveram intoxicação alimentar. Logo depois, um homem de 32 anos também morreu em um cruzeiro, de meningite. Amigos dele relataram que procuraram socorro antes da morte. Completam os casos, a morte de uma senhora de 74 anos de acidente vascular cerebral e a de outra mulher de 58 anos, por infecção generalizada (neste episódio, a família também reclamou que procurou ajuda). A sequência de casos fez com que o Ministério do Turismo criasse uma comissão nacional para cuidar da saúde das embarcações, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para traçar políticas públicas preventivas nos cruzeiros. Saiba como evitar problemas Antes de viajar
Fonte: IG |