Miguel Diaz é argentino filho de pais paraguaios, nascido na região do Chaco. É um personagem que poderia existir tal e qual hoje há uns 40 anos. Com boina encardida, calça jeans desbotada, coletinho e uma barbicha, é um hippie na aparência e na essência. Há 21 anos vivendo no vale do Matutu, em Aiuruoca, uma cidadezinha no Sul de Minas Gerais, ele guia turistas pelas lindas trilhas da região. Imagine um Chico Bento Hare Krishna. Os moradores do lugar são mais ou menos assim. O ambiente rural se mistura à atmosfera mística. Desde 1984, quando a primeira comunidade, digamos, esotérica descobriu a cidade de Aiuruoca, o vale do Matutu virou uma roça zen.
Os forasteiros foram chegando e dizendo que o cenário natural incrível seria um ponto energético único. Isso porque os dois picos rochosos que marcam o início do vale, as pedras do Papagaio e da Cabeça do Leão, formariam uma espécie de portal, a entrada para um universo paralelo de comunhão com a natureza, de meditação e de trabalho comunitário seguindo filosofias orientais.
A paisagem natural reforça o misticismo. Desculpem o clichê, mas há algo de paradisíaco no ar de Aiuruoca, que faz bem à alma. Os campos são enfeitados por samambaias enormes e muitas pequenas flores espalham-se por todos os caminhos. Cachoeiras de tamanhos variados lavam e refrescam mais que apenas o corpo, recarregando também as baterias do espírito.
Mistérios do vale do Matutu Aiuruoca está num ponto quase equidistante entre Belo Horizonte (410 km), São Paulo (350 km) e Rio (320 km). Apesar da relativa proximidade dos três principais centros urbanos do país, permanece quase um segredo, conhecido apenas por ecoturistas mais engajados, praticantes de ioga místicos e esotéricos em geral, além de fãs da atriz Isis Valverde, que nasceu na cidade mineira.
Com pousadas agora mais confortáveis e boa comida, o excelente acervo de trilhas e cachoeiras da região não vai demorar muito (infelizmente para alguns) a entrar definitivamente no mapa do turismo de aventura no Brasil. A zona rural de Aiuruoca concentra boa parte dessas atrações. O contato com a natureza tem uma pitada de misticismo.
No vale do Matutu, ponto de partida para várias caminhadas, estão as melhores e mais charmosas pousadas, as comunidades esotéricas e muitos sítios, que servem comida caseira, produzem queijos e cachaças.
A Reserva Natural Matutu reúne 19 dessas propriedades que formam a Reserva Particular do Patrimônio Natural. Para explorar a região, é fundamental a contratação de guias. Há várias bifurcações nas trilhas, muitas vezes em mata bem fechada. É fácil se perder.
Para chegar à Cachoeira do Fundo, a mais alta da região, com 130 m, é preciso encarar uma trilha moderada. São cerca de duas horas de caminhada, com alguns trechos íngremes, travessia de riacho e banho de cachoeira. Os poços são pequenos, mas agradáveis para um bom banho.
Há várias cachoeiras de acesso mais fácil no Matutu, como a das Fadas, alcançada em uma curta trilha, e a do Batuque, com 25 m de queda, sem poço, mas com boas duchas, daquelas que massageiam o corpo. Algumas dessas estão ao longo da estrada de terra de 17 km que liga Aiuruoca ao vale. Há trechos bem ruins, mas dá para passar mesmo com carro sem tração.
Quem fica na cidade também dispõe de trilhas e cachoeiras nos arredores, especialmente no Vale dos Garcias. Os melhores poços estão por ali e, também, a queda dágua mais linda da região, a Cachoeira dos Garcias, com 30 m de altura, que forma uma piscina natural deliciosa. Os corajosos descem de rapel.
Cidade da atriz Isis Valverde
Será que alguém aí poderia me dar um cigarro de palha?, perguntou a atriz Isis Valverde, aproximando-se do grupo que assava pinhões na fogueira depois de um dia entre trilhas e rios, com mergulhos no poço do Joaquim Bernardo e na cachoeira dos Garcias.
Acho que foi Isis, e não o turismo, quem deu a Aiuruoca alguma projeção nacional, se é que se pode dizer assim. Percebi isso quando voltei de lá. Havia dois tipos de reação quando comentava que tinha conhecido um lugar lindo, encantador, chamado Aiuruoca. Ou a pessoa, a maioria, perguntava Mas onde fica isso? ou, então, cravava na mosca: É a cidade da Isis Valverde.
Ela é hoje uma espécie de embaixadora de Aiuruoca. Informações do Estalagens. |