Adultização: quando a busca por fama adoece a sociedade
Nos últimos dias, o termo adultização dominou os noticiários e as redes sociais, após a denúncia feita pelo influenciador Felca contra o também influenciador Hytalo Santos. O episódio trouxe à tona algo mais grave do que a polêmica em si: a constatação de que estamos imersos em uma sociedade doente.
Doentes pela busca desenfreada por reconhecimento. Doentes por permitir que a infância seja usada como moeda de troca para likes e seguidores. Doentes por transformar a vaidade em espetáculo e o dinheiro em justificativa para qualquer ação.
Pais e mães, muitas vezes pressionados pela necessidade financeira ou pela ilusão de sucesso fácil, acabam permitindo que seus filhos sejam expostos de maneira imprópria. Ao mesmo tempo, vemos denúncias sendo usadas não pela proteção das crianças, mas como uma oportunidade para conquistar “os seus 15 minutos de fama”.
É um ciclo de adoecimento coletivo. Nessa corrida por relevância digital, perdemos a capacidade de olhar os fatos com senso crítico. Passamos a ser reféns de algoritmos que nos entregam sempre mais do mesmo: conteúdos que reforçam vícios, crenças superficiais e uma realidade distorcida.
A sociedade está doente — e a adultização é apenas um sintoma. Se não retomarmos o bom senso, a autocrítica e a responsabilidade ética, corremos o risco de naturalizar o inaceitável e adoecer, como indivíduos e como coletivo, cada vez mais.
O Editorial é um caderno do DiviCity.com que representa a forma com a qual o nosso jornal enxerga os fatos que mobilizam o mundo. Uma outra leitura sobre o mundo para que você possa repensar seus comportamentos e atitudes.





