A responsabilidade dos influenciadores: até onde vai o poder — e o perigo — da influência digital
A responsabilidade dos influenciadores nas redes sociais
Num mundo onde os “likes” valem mais que argumentos e a credibilidade se mede em seguidores, os influenciadores digitais se tornaram a nova voz da publicidade. Mas até onde vai a responsabilidade de quem lucra promovendo produtos, ideias e estilos de vida?
Casos recentes expuseram o lado obscuro desse poder. Influenciadoras brasileiras divulgaram nas redes uma proposta de trabalho no exterior com altos salários e benefícios irresistíveis. Só havia um detalhe: o suposto recrutamento era ligado a uma empresa russa envolvida na produção de drones de guerra. O que parecia um sonho se revelou um risco — inclusive de tráfico humano.
Especialistas alertam que, ao emprestar sua imagem a campanhas duvidosas, os criadores de conteúdo tornam-se parte ativa dos esquemas. “O influenciador virou um canal de confiança, e é justamente isso que os golpistas exploram”, afirma Luana Kava, doutora em Gestão da Informação pela PUC-PR.
Influência sem limites: quando o lucro fala mais alto
Rifas fraudulentas, apostas ilegais, investimentos falsos, exposição de crianças e desafios perigosos: a fronteira entre entretenimento e irresponsabilidade nunca foi tão tênue.
Muitos influenciadores, na busca por engajamento e dinheiro rápido, promovem marcas sem sequer verificar sua origem. A ausência de fiscalização adequada no Brasil permite que conteúdos enganosos se espalhem como fogo, atingindo um público que confia cegamente nos “ídolos digitais”.
“Eles lucram com o prejuízo dos seguidores”, denuncia o perito digital Cleórbete Santos, professor da Universidade Mackenzie. Em muitos casos, influenciadores ganham comissões sobre perdas de apostadores — transformando a confiança dos fãs em moeda de troca.
A ilusão da credibilidade e o preço da irresponsabilidade
Quando um influenciador divulga um produto, ele legitima a marca. Por isso, o argumento de “não sabia” já não convence. “Quem influencia precisa entender que publicidade é poder — e poder vem com responsabilidade”, reforça Bárbara Torres, especialista em comunicação digital.
Campanhas que exploram a ingenuidade de jovens e adultos, rifas manipuladas, apostas ilegais e até crimes cibernéticos são sustentadas por uma engrenagem de likes, views e contratos milionários.
O Conar tenta impor regras — como exigir hashtags de transparência (#publi, #publicidade, #parceriapaga) —, mas a adesão ainda é limitada. Já o PL 3.444/2023, em tramitação na Câmara, busca responsabilizar não apenas os influenciadores, mas também as plataformas que hospedam conteúdos enganosos.
Educação digital e senso crítico: os novos antídotos
Não basta esperar leis. É urgente educar para o consumo consciente de informação. Checar fontes, desconfiar de promessas milagrosas e compreender o papel social de quem fala para milhões são atitudes essenciais para uma internet mais ética e segura.
Na era da influência, pensar antes de compartilhar é o verdadeiro ato de rebeldia.
Fonte: DW Brasil
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