Erros da arbitragem e a “geladeira” da CBF: solução ou teatro para acalmar torcedores?
Nos últimos anos, o torcedor brasileiro tem assistido a um espetáculo paralelo ao futebol: o show de horrores da arbitragem. A cada rodada do Brasileirão, cresce a sensação de que o árbitro, e não o craque, decide o placar.
O episódio mais recente — o afastamento dos árbitros e operadores de VAR que atuaram em São Paulo x Palmeiras e RB Bragantino x Grêmio — foi anunciado pela CBF como “medida técnica”. Mas na prática, parece mais um ato simbólico, uma tentativa de conter a revolta de clubes e torcedores.
O clássico no MorumBis terminou com gritos de “vergonha” e postagens inflamadas do presidente tricolor, Júlio Casares, que acusou o VAR de “manchar o Brasileirão”. Já em Bragança Paulista, os gremistas classificaram a atuação de Lucas Casagrande como “vergonhosa”, após pênalti duvidoso e expulsão contestada.
Essas cenas se repetem há anos. Mudam os times, os árbitros, as reclamações — mas a falta de transparência, profissionalização e coerência permanece. O VAR, que chegou como promessa de justiça, tornou-se um espelho ampliado dos erros humanos, com decisões confusas e justificativas pouco convincentes.
Ao colocar árbitros “na geladeira”, a CBF oferece um espetáculo de moralidade que dura até a próxima polêmica. É um ciclo sem fim, que mina a confiança no campeonato e reforça a ideia de que a arbitragem brasileira está mais preocupada em apagar incêndios do que em evoluir.
Enquanto isso, o torcedor continua assistindo ao mesmo filme, mudando apenas o elenco e o estádio. O futebol brasileiro, tão rico em talento, segue refém da desorganização fora das quatro linhas. E a pergunta que fica é: quem vai apitar o jogo da mudança?
Fonte: Estadão




