O lado B dos influenciadores de viagens: podemos confiar em tudo que dizem?
Influenciadores de viagens são realmente confiáveis?
O sonho de viajar o mundo parece mais acessível do que nunca — principalmente quando acompanhamos o dia a dia dos influenciadores de viagens nas redes sociais. Com fotos impecáveis, vídeos emocionantes e legendas inspiradoras, eles vendem um estilo de vida que qualquer turista adoraria experimentar. Mas será que o conteúdo publicado é sempre verdadeiro? Ou será que por trás da beleza das postagens existe um roteiro artificial, impulsionado por acordos publicitários e interesses comerciais?
Segundo uma pesquisa da PANROTAS com o TRVL LAB, 84% dos viajantes brasileiros afirmam que as redes sociais influenciam diretamente suas decisões de viagem. No entanto, o mesmo estudo indica que 68% dos entrevistados já se sentiram frustrados ao chegar em um destino que parecia muito melhor nas redes do que na vida real.
Afinal, grande parte dos influenciadores são pagos para divulgar hotéis, companhias aéreas, restaurantes e pacotes turísticos. O problema está em muitos não deixarem claro esse vínculo comercial — e pior: apresentarem o serviço como impecável, mesmo quando não é. Isso coloca em xeque a credibilidade e a ética desses perfis que, muitas vezes, acabam distorcendo a realidade para agradar patrocinadores ou atrair mais curtidas.
Quando o marketing vira enganação
Um exemplo claro dessa distorção é o caso de um famoso resort em Maragogi – Alagoas que, apesar de ser confortável, tornou-se extremamente caro por conta da superexposição nas redes sociais. Hoje, uma estadia ali pode ultrapassar o valor de uma viagem completa para Punta Cana. Quem ganha com isso? Certamente não é o turista, que paga mais caro por algo que talvez não atenda suas expectativas.
Além disso, influenciadores ajudam a inflacionar e superlotar destinos que muitas vezes não têm estrutura para receber tantos visitantes, prejudicando o meio ambiente e a comunidade local.
A viagem perfeita não existe!
Outro ponto preocupante é a maneira como esses perfis vendem a ideia de uma viagem perfeita: sem atrasos, sem filas, sem chuva, sem perrengues. Tudo é “instagramável”, tudo é mágico. Essa estética irreal pode afetar a saúde mental dos seguidores, que começam a comparar sua própria vida com uma versão editada da realidade. Reportagem da Agência Brasil alerta: esse tipo de comparação constante pode levar à frustração, ansiedade e até depressão.
E mais: a busca incessante pela foto perfeita já levou muitos influenciadores a colocarem a vida em risco. Em julho de 2024, uma jovem de 27 anos morreu ao tentar gravar um vídeo em uma cachoeira na Índia. E ela não foi a única. Casos semelhantes têm se repetido pelo mundo, mostrando o limite perigoso entre conteúdo e imprudência.
O que o viajante pode fazer?
Ser um turista informado é o primeiro passo para evitar frustrações. Antes de confiar cegamente em influenciadores, pesquise fontes independentes, leia avaliações reais de viajantes em sites confiáveis, compare preços com agências especializadas e consulte profissionais que tenham experiência no destino desejado.
Viajar é sim sobre encantamento, mas também exige planejamento e pé no chão. Nem tudo que reluz no Instagram é ouro — e nem todo “cenário dos sonhos” condiz com a realidade.





