Quem é a mulher que fingiu ter câncer para arrecadar R$ 60 mil em vaquinha e aplicar golpe
O caso da feirante Renata Mara Rodrigues, moradora do bairro Santo Antônio dos Campos (Ermida), em Divinópolis, escancarou um lado sombrio da confiança comunitária. Conhecida por sua presença em feiras e eventos rurais, Renata conquistou a empatia dos vizinhos ao divulgar que enfrentava um câncer em estágio avançado. O que parecia ser uma comovente batalha pela vida, na verdade, era uma farsa bem arquitetada.
Durante mais de um ano, ela emocionou a população com rifas, vaquinhas on-line, cavalgadas beneficentes e campanhas de Pix, alegando precisar de dinheiro para custear tratamentos como “injeções anticoagulantes”. Estima-se que arrecadou cerca de R$ 60 mil com o apoio da comunidade local.
Renata era vista como batalhadora, mãe solteira e de rotina simples — o retrato de alguém que realmente precisava de ajuda. “Ela montava a barraca sozinha, vendia tudo. Ninguém desconfiava”, disse um produtor rural que fornecia alimentos para a feirante.
Mas a comoção virou revolta. Desconfiada de inconsistências nos pedidos de ajuda e nas negativas sobre tratamentos em hospitais de referência, como o de Barretos, uma vizinha acionou a polícia. A investigação revelou que Renata não possuía nenhuma doença grave, segundo laudo pericial dos médicos legistas.
A Polícia Civil a indiciou por estelionato e falsidade ideológica. Ela responde em liberdade enquanto a Justiça avalia se decreta sua prisão preventiva. A delegada Adriene Lopes, responsável pelo caso, destacou a gravidade da situação: “A solidariedade é nobre, mas precisa ser acompanhada de responsabilidade. É preciso investigar antes de doar, para não ser enganado — e principalmente, para não deixar de ajudar quem realmente precisa.”
O episódio deixou feridas na confiança coletiva e acende o alerta para o uso indevido da empatia social como ferramenta de fraude.
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