Feminicídio no Brasil: O que está por trás do 5º lugar no ranking mundial
O Brasil ocupa a 5ª posição no ranking mundial de feminicídios, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em 2023, mais de 1.400 mulheres foram assassinadas apenas por serem mulheres, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número representa um aumento de mais de 6% em relação ao ano anterior — e acende um alerta sobre o que está falhando em nossa sociedade.
Mas por que, em pleno século XXI, o Brasil ainda é um dos países mais perigosos do mundo para ser mulher?
Especialistas apontam que a cultura machista ainda enraizada em muitos lares brasileiros é um dos principais fatores. A ideia ultrapassada de que o homem deve exercer poder e controle sobre a mulher cria um ambiente propício para o abuso psicológico, violência física e, em casos extremos, o assassinato. A frase “ela era minha” ainda ecoa em muitos crimes, revelando um sentimento de posse que transforma relacionamentos em campos de guerra.
Entretanto, há um elemento novo — e perturbador — sendo apontado em estudos recentes: a ascensão das mulheres no mercado de trabalho e no acesso à educação pode estar afetando o ego masculino em uma sociedade que ainda não aprendeu a lidar com a igualdade de gênero. Segundo a antropóloga Débora Diniz, da UnB, “o avanço das mulheres representa, para alguns homens, uma perda de status, poder e protagonismo — e é aí que o machismo se torna letal”.
De acordo com o IBGE, as mulheres brasileiras são, em média, mais escolarizadas que os homens. Também têm avançado em cargos de liderança e assumido a chefia financeira de muitos lares. Para uma parcela masculina que foi criada com o ideal de ser o “provedor” e o “líder da casa”, esse novo cenário pode gerar frustração, insegurança e desejo de retaliação.
Vale lembrar que o feminicídio é apenas a ponta do iceberg. Antes de chegar ao crime extremo, muitas mulheres sofrem anos de abusos verbais, agressões, ameaças e controle. A Lei Maria da Penha, de 2006, foi um marco importante, mas ainda há lacunas na proteção e na conscientização da sociedade. O número de medidas protetivas concedidas também aumentou, o que revela não só um avanço no acesso à justiça, mas também o tamanho da demanda por segurança.
A verdade é que enquanto a igualdade de gênero não for compreendida como um direito — e não como uma ameaça — o Brasil continuará falhando com suas mulheres. É necessário discutir o papel da educação de meninos, repensar os modelos familiares tradicionais e, acima de tudo, responsabilizar o agressor sem relativizações.
Até quando o progresso feminino será visto como provocação? Até quando o ego masculino será uma bomba-relógio na vida de tantas brasileiras?
Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONU Mulheres, IBGE, UnB
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